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segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

À MESA DA USURA

Volto ao artigo de Manuel António Pina: O problema é que é cada vez mais difícil discernir quem, à mesa do banquete orçamental, se senta ao colo de quem, o poder político ou o poder financeiro. Voltando ao Canto XLV de Pound:
trouxeram putas para Elêusis
cadáveres dispostos no banquete
às ordens da usura

SISTEMA FINANCEIRO

Nesta época em que o sistema financeiro domina a economia real, com muita oportunidade, Manuel António Pina escreveu na Notícias Magazine (2010.02.21): Ezra Pound chamou-lhe «pecado contra a natureza», e o papa Cisto V «pecado contra Deus e contra os homens». O empréstimo de dinheiro a juros, «o lucro sem labor», é coniderado imoral pela Bíblia (no xodo, no Levítico, no Deuterónimo, nos evangelhos de Lucas e Mateus), proibido pelo Corão, condenado por filósofos (Platão, Aristóteles, Séneca, Plutarco, São Tomás de Aquino...), por Maomé, por Moisés, pelo Buda; foi banido em concílios como o de Niceia e de Latrão, declarado heresia e blasfémia por Clemente V; e Dante colocou os usurários - a quem a - igreja chegou a recusar os sacramentos e o funeral cristão - no interior do sétimo círculo do Inferno. Os usurários tornaram-se entretanto gente respeitável, capaz de temer a Deus e pregar valores morais e, simultaneamente, ler pela cartilha de Bentham que, em 1787, na sua Defesa da Usura, defendeu que cada homem deve ser o único juiz do modo como obtém lucros, não tendo de se ater a empecilhos morais.